Categoria: Vida Cristã

O clamor de Deus

Referência: Jeremias 2.1-13

INTRODUÇÃO

jesus

São impressionantes as semelhanças que há entre a vida de Jeremias e a de Jesus:

1) Os dois nasceram e cresceram em pequenos povoados: Jeremias em Anatote e Jesus, em Nazaré.
2) Os habitantes de Anatote rejeitaram Jeremias e procuraram mata-lo, da mesma maneira que os habitantes de Nazaré rejeitaram Jesus.
3) Os líderes religiosos foram os principais inimigos de Jeremias, e a mesma coisa aconteceu com Jesus.
4) Jeremias confrontou o povo de então por causa da sua fé supersticiosa que tinham no Templo, e por crerem que a conduta moral não era importante, já que eles obedeciam ao ritual do Templo. Jeremias disse assim:

“Não confieis em palavras falsas, dizendo: Templo do Senhor, Templo do Senhor é este… Eis que vós confiais em palavras falsas, que para nada vos aproveitam…” (Jr 7.4,8-11).

Jesus “tendo entrado no templo, expulsou a todos os ali vendiam e compravam; também derrubou as mesas dos cambistas e as cadeiras dos que vendiam pombas. E disse-lhes: Está escrito: A minha casa será chamada Casa de oração; vós, porém, a transformais em covil de salteadores” (Mt 21.12-13).

5) Jeremias e Jesus choraram sobre Jerusalém. Vejamos primeiramente as palavras de Jeremias:

“(…) Estou quebrantado pela ferida da filha do meu povo; estou de luto (…) Oxalá a minha cabeça se tornasse em águas, e os meus olhos em fonte de lágrimas. Então choraria de dia e de noite os mortos da filha do meu povo” (Jr 8.20-9.1).

Agora, vejamos as palavras de Jesus:

“Jerusalém, Jerusalém (…) Quantas vezes quis eu ajuntar os teus filhos, como a galinha ajunta os pintos debaixo das asas, e tu não quiseste” (Mt 23.37).

6) Tanto Jeremias como Jesus sabiam que a palavra final de Deus ao seu povo não era de juízo, mas de uma nova aliança. Assim diz Jeremias: “Eis que vêm dias, diz o Senhor, em que farei um concerto novo com a casa de Israel e com a casa de Judá” (Jr 31.31).

E na noite em que foi traído, Jesus se reuniu com os seus discípulos no cenáculo, para celebrar a Páscoa. E, depois de haver tomado o cálice e orado, ele o deu aos seus discípulos, e disse: “Bebei dele todos; porque isto é o meu sangue, o sangue da nova aliança, que é derramado por muitos, para remissão dos pecados” (Mt 26.27-28).

7) Tomando-se em conta todas essas semelhanças não é de se admirar que, quando Jesus apareceu, algumas pessoas pensassem que ele fosse Jeremias (Mt 16.13,14).

Assim como Jesus veio para proclamar aos homens o amor de Deus e convocá-los para se voltarem para Deus, Jeremias também levanta aos ouvidos da nação o clamor de Deus de que retornassem para Ele.

deus-se-recordaI. A LEMBRANÇA DE DEUS – V. 1-3

1. Deus se recorda dos tempos áureos de afeição do seu povo por ele – v. 2

“Lembro-me de ti, da tua afeição…” (v. 2). O coração de Deus se move de amor por você. Ele se recorda daquele tempo quando você O conheceu, quando você se afeiçoou a Ele e entregou-lhe seu coração. Deus se recorda daquele tempo em que você se deleitava Nele e tinha prazer de ler  Sua Palavra e falar com Ele em oração.

Deus se recorda daquele tempo que você vinha a sua casa exultando de alegria e cantava louvores a Ele com todo o fervor da sua alma. Daquele tempo quando seu coração era totalmente Dele e você descansava Nele nas horas da sua aflição.

2. Deus se recorda dos tempos do seu primeiro amor por ele – v. 2
Naquele tempo você tinha afeição por Deus. Naquele tempo você estava envolvido pela graça de Deus. Você se assentava aos seus pés para adorar. Você não cessava de falar do seu doce nome. Naquele tempo seu coração exultava com as coisas de Deus.

Hoje, as coisas acontecem. Você vem a igreja, você gosta de participar do culto. Você mantém um compromisso externo, mas o seu coração está frio. O ritual tomou o lugar da devoção. O templo substituiu a comunhão com o Senhor do templo. Tudo continua acontecendo, mas seu coração já não é mais puro, sua vida já não é mais santa, Deus não é mais o prazer da sua alma (Jr 7.4).

3. Deus se recorda daquele tempo que você tinha comunhão com ele – v. 2
Deus se lembra daquele tempo que você era noiva. Oh! Como você se preparava para encontrar-se com o Senhor. Como você tinha prazer de estar com Ele. Como gostava de ouvir sua voz.

Oh! Como se deleitava nos seus conselhos! Deus se alegrava em você como o noivo se alegra com a sua noiva. Deus tinha em você todo o seu prazer. Você era a delícia de Deus. A menina dos olhos de Deus.

4. Deus se recorda daquele tempo que você o seguia no deserto – v. 2

Seu coração confiava no Senhor sem duvidar. Você saiu do cativeiro e mergulhou no deserto confiante no cuidado, no livramento, na proteção e na providência divina. Deus tem saudade desse tempo que não havia rebeldia no seu coração, nem incredulidade, nem dúvida.

5. Deus se recorda daquele tempo que você era consagrado a ele – v. 3

Você se entregou a Deus sem reservas. Seu coração, sua vida, seu destino, seu futuro: tudo você entregou ao Senhor. Você era totalmente Dele. Deus se recorda desse tempo quando Ele era o seu maior tesouro, maior riqueza, maior alegria, sua grande recompensa.

6. Deus se recorda daquele tempo que ele tinha profundo zelo pela sua vida – v. 3

Tocar em você era tocar na menina dos olhos de Deus. Aqueles que declaravam guerra contra você, declaravam guerra contra Deus. Ele ia à sua frente para lhe defender. Ele desalojava os seus inimigos. Ele guerreava as suas guerras. Ele desbaratava os seus adversários.

Sua confiança não estava na sua força, nem na sua riqueza, nem na sua inteligência, mas no Senhor. Você confiava Nele e Deus defendia você. Sua caminhada com Deus era uma deleitosa.


desertoII. O LAMENTO DE DEUS – V. 4-8

1. O povo de Deus de forma ingrata o abandonou a despeito da redenção de Deus – v. 5-6

A noiva amada de Deus tornou-se infiel. Ela se enamorou pelos seus muitos amantes e se afastou do amado da sua alma. A causa da sua infidelidade não estava em nenhuma injustiça do seu noivo, mas na sua própria infidelidade.

Deus tirou o povo do Egito, debaixo do chicote, das algemas de ferro, da escravidão opressa. Deus quebrou os seus grilhões, tirou-o das gargantas do inferno, mas agora, o seu povo o abandona apesar de tão grande redenção.

Deus nos tirou do império das trevas, da potestade de Satanás. Ele quebrou os nossos grilhões, perdoou-nos, remiu-nos. Éramos escravos e Ele nos amou, mas muitos hoje o abandonam e o trocam por outros deuses.

2. O povo de Deus de forma ingrata o abandonou a despeito da proteção de Deus – v. 6

Deus não só tirou o seu povo do cativeiro, mas o guiou pelo deserto. Deus o livrou dos seus inimigos. Deus lhe deu vestes e sandálias que não ficaram rotas. Deus lhe deu água no deserto. Deus lhe deu maná do céu. Deus lhe abriu fontes nas rochas.

Deus estampou diante deles milagres extraordinários. Deus guerreou suas guerras e lhes deu grandes vitórias. Mas apesar de tão grande amor, o seu povo o deixou e o trocou por outros deuses.

3. O povo de Deus de forma ingrata o abandonou a despeito da provisão divina – v. 7

Deus introduziu o seu povo em Canaã, uma terra deleitosa. Deus foi fiel em todas as suas promessas. A terra foi presente de Deus, não conquista do povo. A entrada na terra foi ação divina, não obra humana. Tudo foi feito por Deus. Tudo veio de Deus.

Mas quando o povo entrou na terra prometida, em vez de dar a glória devida ao Senhor, contaminaram a terra. Em vez de serem luz entre as nações, corromperam-se como as outras nações. Em vez de influenciar as outras nações, foram influenciadas por elas.

4. O povo de Deus de forma ingrata o abandonou por causa da corrupção de sua própria liderança – v. 8

O povo é um retrato da sua liderança. Enquanto estamos buscando melhores métodos, Deus está buscando melhores homens. Aqueles que deveriam conduzir o povo a Deus, a liderança, desviou o povo de Deus. Tornaram-se laço, em vez de canais. Tornaram-se lobos, em vez de pastores:

• Os sacerdotes tornaram-se omissos.
• Os mestres da Palavra tornaram-se ímpios.
• Os pastores tornaram-se aproveitadores.
• Os profetas tornaram-se apóstatas.

III. A INDIGNAÇÃO DE DEUS – V. 9-13

1. O povo de Deus tornou-se mais infiel do que os pagãos – v. 10-11

Os ímpios, mesmo adorando ídolos mudos, que não deuses, não trocavam esses ídolos por outros deuses. Mas, Israel mesmo servindo o Deus vivo, abandonou o Senhor e o trocou por ídolos de nenhum valor. A fidelidade dos ímpios aos seus deuses reprovava a infidelidade de Israel.

Os pagãos são mais dedicados aos seus deuses do que o povo de Deus ao Senhor. Eles são mais zelosos, do que o próprio povo de Deus.

2. O povo de Deus abandonou o Senhor, a fonte das águas vivas – v. 13aguas vivas

O pecado do povo de Deus é tão grave que até os céus ficam espantados. É algo inacreditável. O povo de Deus abandonou o seu Senhor. Que Senhor?

Jeremias retrata a Deus com uma figura. Para Davi Deus é o bom pastor. Para Moisés é um fogo que consome. Para Jeremias é a fonte das águas vivas.

a) Deus é a fonte da vida, nossa vida depende dele – A alma afastada de Deus já está morta. Sem Deus você não vive. Só na presença de Deus tem plenitude de alegria.

b) Deus é a fonte de vida abundante – Deus não é uma cisterna, mas uma fonte. Uma cisterna apenas armazena água, mas uma fonte produz água. A água corre da fonte. A fonte é inesgotável. A fonte tem água viva, água limpa, água que flui abundantemente. Isso é símbolo da vida que Cristo oferece.

Quem nele crê tem uma fonte a jorrar para a vida eterna. Quem nele crê nunca mais tem sede. Quem nele crê, rios de água viva fluem do seu interior. Jesus veio para lhe dar vida em abundância.

3. O povo de Deus cavou cisternas rotas que não retém as águas – v. 13

a) Se Deus é o manancial das águas vivas, por que seu o povo o abandona? – Muitas vezes, o povo de Deus tem se cansado de Deus. Tem sido atraído e seduzido pelo pecado, pelo mundo, pelas cisternas rotas.

Miquéias pergunta: “Povo meu, que te tenho feito? Por que te enfadaste de mim? Responde-me” (Mq 6.3).

O Filho Pródigo sentiu-se insatisfeito na casa do Pai e foi para um país distante, onde gastou tudo que tinha vivendo dissolutamente. Hoje, trocamos a Deus pelo prazer, pelo dinheiro, pelo sucesso, pelos ídolos modernos.

b) O perigo de ser seduzido por algo artificial – Israel deixou o Senhor e se deixou seduzir por ídolos. Israel pensou: O nosso Deus é muito exigente. Queremos uma religião que nos custe menos, que nos dê mais liberdade, que não nos cobre tanto. Queremos ser livres como os outros povos para fazermos tudo sem drama de consciência. Trocaram a verdade pela mentira e Deus pelos ídolos.

c) Alimentando-se de pó em vez de beber da fonte – Quem troca o Senhor por outras fontes começa a morrer de sede. Só o Senhor tem a água da vida. Só Ele pode matar a nossa sede. Só nele a sua alma pode dessedentar-se. Só ele satisfaz a sua alma.

Texto adaptado do Reverendo Hernandes Dias Lopes

Vida de gratidão

gratidao-ao-senhorA gratidão no contexto da Palavra de Deus consiste no reconhecimento de dádivas recebidas (Sl 103.1-12), ofertadas pela graça de Deus (Tg 1.17), bem como por parte dos homens. Quando exercemos o ato de “dar”, nos aproximamos mais de Deus. Pois Ele é “amor” (1Jo 4.8) e uma das linguagens do amor é “dar”. Isto é, “oferecer algo que o outro precisa e que nós possuímos” (Mt 5.42). A gratidão está do lado de quem recebe a dádiva (Lc 17.17). Ela deve ser espontânea e um fruto imediato de um coração rendido a Deus (1Ts 5.18). A Bíblia nos ensina tanto a dar como a agradecer por tudo o que recebemos (Rt 2.10; 2Sm 9.1; 2Rs 4.13).

A gratidão abre o nosso entendimento para o fato de que temos recebido muito mais bênçãos do que possam ser os nossos problemas ou dificuldades.

Ela é uma arma de vitória que apaga insinuações malignas de rejeição, baixa autoestima e rebeldia. A gratidão anula os pensamentos de depressão. Ela é um exercício de libertação e nos leva a “voar nas asas do Espírito”, concedendo-nos um coração adorador.

  • O Senhor nos convoca a agradecê-Lo por todos os benefícios que nos tem feito e, quando fazemos isto, percebemos que estes são incontáveis e essenciais. Comece a contar as bênçãos em sua vida e você verá que é impossível enumerá-las todas, enquanto os nossos problemas podem ser contados em nossos dedos.
  •  A gratidão nos leva a estar acima das tempestades e das dificuldades da vida. Veja os Salmos de Davi (34 e 18) que foram escritos e entoados em momentos dificílimos de sua carreira. Você tem agradecido ao Senhor pelas respostas de oração? Pelos livramentos nos momentos difíceis?
  • A ingratidão fere o coração de Deus: Jesus sentiu falta dos nove leprosos que foram curados, sendo que somente o samaritano retornara para agradecer pela cura (Lc 17.17-18).
  • A gratidão é mandamento para o nosso próprio bem. O cumprimento da vontade de Deus, em suas leis e ordenanças, nos traz vida e paz, e gera o perfeito louvor: Hb 13.15, Is 12.1, Sl 100.4.

Manifeste a sua gratidão ao Senhor e às pessoas, deixe a glória de Deus brilhar em sua vida!

Texto adaptado da Pra. Ângela Valadão

Conhecendo a Deus

No evangelho de Lucas, capítulo 4, versos 31 a 37, vemos Jesus indo para uma cidade perversa chamada Cafarnaum. Uma cidade cheia de conflitos, incredulidade, maldade, uma cidade satanizada. Enquanto muitos poderiam pensar que Ele se dirigiria para Jerusalém, para o templo, esse trecho nos mostra Jesus fazendo algo inusitado. E alguém poderia perguntar: mas será que Ele entra ali? Eu respondo: entra, porque Ele veio exatamente com esse propósito. Jesus disse: “Porque o Filho do Homem veio buscar e salvar o que estava perdido” (Lc 19.10).

O texto afirma que a fama de Jesus corria por todos os lugares. Noestudando-a-palavra-de-deus entanto, há uma diferença muito grande entre conhecer a fama de Jesus e conhecer a Jesus. Nós, seres humanos, fomos criados por Deus com um propósito: o de conhecê-Lo. O tempo da nossa peregrinação aqui na Terra é exatamente para conhecermos o Senhor e fazermos a escolha do lugar onde vamos passar a eternidade: no céu ou no inferno, um lugar que não foi feito para ser o destino final do homem.

Jesus não se parecia com Deus, Ele era o próprio Deus.

Quando Jesus vai para Cafarnaum, Ele leva a luz, pois Ele é a luz. Seu ensino não se limitava a conceitos ou regras. Antes, Ele levava as pessoas a conhecerem Deus. Jesus não se parecia com Deus, Ele era o próprio Deus. E o Seu evangelho o poder e a manifestação da autoridade de Deus. Por isso, quando Jesus falava os demônios se manifestavam, até mesmo dentro da sinagoga. Ele não precisava de nada além da Sua palavra para expulsá-los.

De modo semelhante, a fé cristã exclui toda e qualquer superstição. Ela é espiritual, fruto do relacionamento do homem com Deus. É o poder inerente da palavra. A própria salvação entra no coração das pessoas quando elas ouvem a palavra. A fé vem pelo ouvir e o ouvir a palavra de Deus (Rm 10.17).

Mais que conhecer a fama de Jesus, maravilhoso é conhecer o Jesus da fama.

Jesus veio para libertar o homem, para mostrá-lo um caminho diferente: o homem pode ser morada de Deus! Seguir a Jesus é a ventura mais magnífica que o ser humano pode experimentar aqui na Terra. Mais que conhecer a fama de Jesus, maravilhoso é conhecer o Jesus da fama. Ou seja, não conhecê-Lo por meio do que os outros falam, mas experimentando você mesmo tudo o que Ele tem para a sua vida!

 

Texto adaptado do Pr. Márcio Valadão

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